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Bônus Eros: 4 de Outubro

5 de jan. de 2023
9 min de leitura

Olá!


O primeiro bônus que estou trazendo pra casinha oficial do ruthverso ainda não é inédito: é aqueeele bônus de Eros que deveria ter saído no dia dos namorados, mas acabou saindo no dia do aniversário do Haru. Resolvi trazer pra cá pra fazer valer uma das funções do site, que é reunir todas as minhas coisinhas em um só lugar.


Aproveitei pra criar a categoria "Bônus" aqui no blog pra firmar a minha ideia de trazer outros com o passar do tempo!


Atenção: o bônus a seguir pode conter spoilers para quem não concluiu a leitura dos livros EROS: À primeira vista e Em todas as nuances.


HARU

4 de outubro

Ajusto a gravatinha borboleta presa ao redor do vaso do Keanu.

— Sua flor é a mais linda do mundo — confidencio para ele, que exibe uma florzinha amarela despontando entre os espinhos finos.

Já perdi as contas de quantas flores ele abriu desde o dia do casamento, mas tenho o registro de cada uma delas na galeria do meu celular.

Eu me afasto da prateleira e admiro os três cactos juntos, todos com as gravatinhas que Thomas e Kevin fizeram. Eles sempre me presenteiam com alguma coisa feita à mão para decorar os vasinhos, a confeitaria ou o apartamento em reforma.

Regina cresceu tanto que já é a maior de todos, mas ainda não abriu nenhuma flor. Gominho, do outro lado de Keanu, está com o primeiro botãozinho prestes a abrir.

Sorrio, sem parar de olhar para os três cactos, e pego o celular no bolso do avental. Aponto a câmera para eles e, assim que capturo a foto que queria, ouço a sineta da entrada denunciar a entrada de alguém.

A porta exibe a placa de Fechado há pelo menos 20 minutos, mas eu a mantive destrancada, esperando por essa chegada.


Meu sorriso aumenta antes mesmo que eu me vire. Quando olho por cima do ombro e o vejo, sorrio ainda mais.

— Oi, bebê — Juno diz. Eu não digo nada, apenas deslizo o celular de volta ao bolso enquanto me aproximo do meu amor.

Ele deixa a bolsa de viagem no chão e, quando chego perto, sou recebido com um abraço apertado.

— Finalmente… — eu quase sussurro, afastando seus pés do chão quando o ergo em meus braços.

Ele ri enquanto encho sua testa, pálpebras, bochechas e nariz de beijos rápidos que traduzem a saudade que senti.

— Feliz aniversário… — ele diz, com o riso perdendo força ao que seus pés voltam a se firmar no chão.

Agradeço com mais um beijo em sua testa.

Ele me observa em silêncio, e eu penso que nunca vou superar o quanto seus olhos são lindos. A cor de mel esverdeada brilhando com carinho para mim é a coisa mais bonita que já vi na vida.

Às vezes, Juno passa dias longe, sempre à trabalho. À medida que sua carreira vai se solidificando, a demanda por campanhas fora da cidade aumenta. Às vezes, fora do país.

Eu sinto muito orgulho dele. Toda vez que ele compartilha comigo que recebeu uma nova proposta de fora, fico feliz. Confesso que de vez em quando fico um pouco amuado também, por causa da saudade que sei que vou sentir, mas esse sentimento não chega nem perto de encobrir a alegria que sinto por ele. E é isso que expresso sempre em primeiro lugar: felicidade.

Não tenho nenhum preparo técnico para afirmar que Juno é o melhor modelo comercial do mundo… mas, para mim, ele é. Mas também é o melhor companheiro que já existiu. Então, ainda que eu sinta todo esse orgulho de suas conquistas, um dos meus momentos favoritos é esse aqui… quando ele volta com um abraço apertado e várias histórias para contar.

— Quero saber tudo, hyung — anuncio assim que afasto meu rosto para olhá-lo.


É o rosto mais lindo que existe. Acho que nunca vou me acostumar.


— Vou contar todos os detalhes, bebê — Juno garante, descendo sua mão de encontro à minha. Quando nossas mãos estão entrelaçadas, ele me puxa até uma das cadeiras coloridas da confeitaria e me faz sentar.


Depois, coloca sua mala sobre a mesa e desliza o zíper para abri-la.


— Primeiro… — ele diz, fazendo suspense antes de tirar alguma coisa dali de dentro. — Seus presentes, bebê. Pra compensar por ter chegado tão tarde no seu dia.


Eu sorrio e balanço a cabeça para os lados. Claro que eu gostaria de passar o dia todo agarrado nele, mas não estou chateado por ter sido diferente.


Juno até pensou em rejeitar a proposta da campanha quando descobriu que passaria parte do meu aniversário fora, mas é claro que eu fui veementemente contra a possibilidade – e ele me conhece bem o suficiente para saber que eu estava falando sério e ficaria bravo se ele recusasse a oportunidade.


— Eu passei o dia na correria. Essa semana tá tendo muita encomenda — digo, feliz de ter passado meu aniversário tão ocupado. Estou feliz mesmo de ver minha confeitaria crescendo assim.


— Vi a foto que Thomas postou… ele veio te visitar com o pessoal, não foi?


— Veio todo mundo. E eles aproveitaram pra ajudar e dar um tempinho a mais de descanso pro meu pai — eu paro, penso, e corrijo: — Na verdade, mais atrapalharam que qualquer coisa. — Juno começa a rir e eu também, então, garanto: — A intenção deles foi boa.


Juno balança a cabeça para cima e para baixo, concordando, e eu aponto o queixo para sua mão ainda escondida dentro da bolsa.


— Meus presentes…?


Ele ri novamente e, enfim, revela a primeira coisa que trouxe para mim ao tirá-la ali de dentro. Leite de banana.


Eu o amo por muitas coisas, e uma delas definitivamente é como Juno nunca deixa de repetir esses gestos pequenos que me conquistaram tanto tempo atrás.


— Te amo mais que tudo, hyung— digo sinceramente, alegre com o meu presente. — Eu keanu você.


Ele não responde com nada além do sorriso bonito. No lugar de palavras, ele me dá o segundo presente.


Este é grande e está embrulhado, e eu deixo meu leite de banana de lado para poder desfazer as dobras do papel de presente estampado com cupcakes. Adoro como ele sempre pensa em cada detalhe. E adoro o que ele escolheu para me presentear.


— Vou colocar nas prateleiras atrás do balcão — eu anuncio assim que vejo que a caixa guarda um conjunto de pratos coloridos com estampas de frutas. É meio cafona e cheio de cor, do jeito que eu gosto.


Olho para trás, para as prateleiras de madeira suspensas sobre o papel de parede de listras coloridas, e sorrio mais ao confirmar que os pratos novos são perfeitos para decorar aquele cantinho.


— Eu amei, hyung — confesso diante da expressão cheia de expectativa que ele carrega.


Em resposta, ele se inclina, segura meu rosto e beija minha boca. Nada além de um selinho demorado, mas tão carinhoso quanto um gesto tão singelo poderia ser.


Mantenho os olhos fechados e um sorriso bobo nos lábios quando ele se afasta, ainda segurando meu rosto com as duas mãos.


— Eu keanu você, Haru — diz. Sorrio mais. — Feliz aniversário de novo.


Ergo as pálpebras devagar, olhando-o nos olhos, antes de pedir:


— Me ajuda a colocar os pratos lá?


Juno sorri um pouco mais e ao mesmo tempo me dá mais um beijinho. Sem dizer nada, ele fica de pé e pega a caixa, guiando nosso caminho até atrás do balcão.


Sei que vamos conversar muito durante a noite e também durante a semana, porque ele ama contar cada detalhe das suas viagens, e eu amo ouvir, assim como ele ama saber de cada coisa que acontece na confeitaria. Mas, enquanto arrumamos os pratinhos, o fazemos em silêncio, apenas aproveitando a companhia um do outro depois de alguns dias longe.


Quando acabamos, expondo cada prato ao longo da prateleira, nós paramos lado a lado e sorrimos.


— Ainda é seu aniversário — ele lembra. — Como quer encerrar o dia, bebê?


Minha resposta é previsível:


— Lá no bar do Calvin.


Juno dá uma risada, mas não questiona a minha decisão mesmo que a minha festa oficial esteja marcada para acontecer lá amanhã.


— Ok. Bar do Calvin. Talvez ele te dê uma bebida de graça como presente de aniversário.


— Até parece.


Ele faz uma careta de concordância, ciente de que a probabilidade é tão baixa que sequer deve ser considerada senão como uma piada.


— Só mais uma coisa. Espera um pouco — peço, deixando-o sozinho para seguir à cozinha.


Nela, encontro o minibolo que preparei mais cedo, já devidamente guardado na embalagem padrão da confeitaria. Depois, checo mais uma vez se já desliguei tudo que tinha que desligar, tiro o avental e volto ao salão. Não me surpreendo ao encontrar Juno agora próximo aos cactos, equilibrando-os nas mãos todos de uma vez para levá-los até a janela frontal, onde o sol bate logo cedo pela manhã.


— Aproveitem o solzinho de amanhã — ele diz ao colocá-los no peitoril baixo. Depois, quando vira para mim, pergunta: — Certeza que a gente ainda não pode levar eles pra casa?


— Antes da reforma acabar? E correr o risco de derrubarem Regina de novo? — questiono e ao mesmo tempo balanço a cabeça em uma negativa reticente. — Nem pensar. Só quando estiver tudo pronto.


Juno suspira, aceitando minha decisão e meu abraço quando o alcanço e passo o braço em torno do ombro dele.


— Toma — digo, entregando o bolinho. — Fiz pra você.


O sorriso dele nasce devagar na expressão cansada.


— De morango?


— Claro… Seu favorito. Coloquei um garfinho pra gente ir comendo no caminho…


— Você é a coisa mais linda do mundo — ele diz, pressionando um beijo no meu pescoço antes de se afastar um pouquinho. — Vamos?


Nós nos despedimos dos cactos, pegamos as coisas de Juno e o meu leite de banana e eu apago as luzes antes de sairmos e trancarmos tudo.


A essa hora, as ruas já estão vazias. De vez em quando, um carro ou moto passa por nós enquanto caminhamos devagar em direção ao bar do Calvin. Nós dividimos o garfinho enquanto comemos o bolo e Juno compartilha comigo cada detalhe da viagem de volta.


Ao chegarmos no bar do Calvin, o bolo já acabou, o leite de banana secou e eu já estou atualizado em tudo que aconteceu em sua estadia em Emaline, ainda que nada demais tenha acontecido. Nós só gostamos demais de conversar e de dar detalhes que talvez nem sejam tão necessários assim. E é por isso que na próxima hora ele também irá saber de tudo que aconteceu comigo nos últimos dias.


— Sem bebida de graça hoje. Não quero nem saber se é seu aniversário — Calvin dispara assim que nós entramos no bar.


— Deixa de ser mão de vaca — Juno resmunga enquanto eu dou uma risada genuína. Me divirto com o quão previsível Calvin consegue ser.


— Parabéns, Haru — ele diz, ignorando Juno e lavando um copo na pia atrás do balcão do bar. — Mas é sério. Sem bebida de graça.


— Você deveria ter escolhido um lugar melhor para ir — Juno fala alto o suficiente para que Calvin ouça, mas o bartender não diz nada, só revira os olhos. E, apesar da reclamação, questiona em seguida: — Quer sentar onde?


— Aqui mesmo — respondo, puxando uma das banquetas americanas do balcão.


Nós sentamos lado a lado, de frente para Calvin, e nem dizemos nada para que ele sirva duas cervejas.


— Sério, vou cobrar por elas — faz questão de reforçar.


— Você é insuportável — Juno resmunga. Calvin não se ofende.


— Como foi a viagem? — pergunta logo depois, apoiando os braços no balcão e se curvando um pouco mais para a frente enquanto ignora outro cliente que entra no bar.


Eu e Juno brindamos e ele toma um gole antes de dizer:


— Inesperada. Fui em um bar lá e o dono não me tratou como um pedaço de bosta. Nem me lembrava mais da sensação.


Eu dou uma risada e Calvin ajeita os óculos sobre o nariz, a expressão meio enfezada disfarçando a risada que tanto eu quanto Juno sabemos que ele está segurando agora.


— Bem-vindo de volta à sua realidade. Pelo menos aqui você tem o Haru — o cara alto na nossa frente diz, e aí eu rio mais ainda.


A mão de Juno pousa com cuidado sobre a minha coxa, e ele desliza o dedo em uma carícia lenta e tão discreta quanto o sorriso que nasce no seu rosto.


Eu toco na mão dele, acariciando-o também, e sorrio enquanto vejo nossas alianças juntas.


Então, Juno diz:


— Pois é. Por isso que voltar é sempre a melhor parte, Calvin.


Meu sorriso não cresce, mas se prolonga no rosto porque sei que sua declaração, além de clichê e meio cafona, é de verdade. Como tudo em nós.

— Então… — Calvin continua meio inclinado na nossa direção. Consequentemente, continua ignorando o outro cliente que chegou. — A festa vai ser amanhã?


— Vai, e você é convidado — faço questão de relembrar. — Já arranjou alguém pra trabalhar no seu lugar?


— Pra quê? — Juno questiona, fingindo uma dúvida sincera. — Nem quando tem que trabalhar ele trabalha.


— Vai encher outro, Juno — Calvin resmunga, mostrando o dedo do meio enquanto se afasta. Finalmente, ele vai atender o outro cliente na extremidade oposta do balcão.


— Bartender do ano — comento baixinho, fazendo Juno rir alto. Então, dou risada também, sentindo felicidade genuína em um dia tão simples. Mas eu sou grato por isso. Sou grato por ser tão feliz nos dias comuns, sem precisar fugir da vida que me cerca para me sentir bem.


— Já vai tirar nossa foto? — Juno pergunta, atento ao momento em que procuro o celular no bolso da calça folgada. Não é um questionamento impaciente, mas é certeiro.


— Tô muito feliz — respondo.


Ele não faz nada além de chegar ainda mais perto, sorrindo para a câmera enquanto eternizo mais um momento na minha coleção crescente de boas memórias.


Só hoje, tirei quatro fotos ao longo do dia. Dos cactos, da confeitaria cheia de movimento, dos meus amigos indo me ver e do meu pai, sorridente, trabalhando comigo durante todo o dia com algo que nós dois amamos. Agora, somo mais uma à conta.


Enquanto Juno amplia a foto para ver cada detalhe dela, focando a tela nos meus olhos, eu olho para ele, dou um beijo em sua bochecha e me encho da mais genuína certeza de que não escolheria nenhuma outra forma de comemorar este dia.


42 comentários


Membro desconhecido
19 de mai. de 2024

Eu tenho absoluta certeza de que em algum universo eu faço parte desse grupo de amigos, que compartilho esses momentos de felicidades com eles.

Sério, eu me sinto parte dessa história, e sempre aprecio cada palavrinha escrita nela como se estivesse escrevendo ela junto com todos eles.

Eu Keanu vc, Ruth 🌵

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Membro desconhecido
01 de out. de 2023

Eros é como um lugar onde eu já estive, e do qual eu sinto saudades 🫠

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Membro desconhecido
25 de set. de 2023

Só agora depois de quase um ano q li os livros q consegui lê essa parte da história e nossa 🥰 ela é tão perfeita quanto os próprios livros. Obrigada Ruth por criar histórias tão perfeitas e fazer meu ideal de relacionamento crescer tanto a ponto de eu estar solteira 🥺🥲 mais eu amo suas histórias tá 😁

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Membro desconhecido
10 de fev. de 2023

Meu Deus! Que presente lindo para os amantes de Eros. Obrigada!

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Membro desconhecido
31 de jan. de 2023

Ruth eu te amo mulher!

minha autora favorita sempre se superando e sempre entregando tudo ❤

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